Por que transformações "big bang" nunca funcionam e o que fazer no lugar delas
É tentador enxergar o mainframe como uma relíquia: um sistema envelhecido que não tem lugar em uma empresa moderna. Mas, do mesmo modo que o micro-ondas continua presente nas cozinhas de alto padrão, o mainframe ainda tem seu lugar: transações de alto volume e baixa latência. Cenários em que velocidade e consistência pesam mais do que flexibilidade ou capacidade de decisão.
Por exemplo:
- Transações de caixa eletrônico
- Negociação de alto volume
- Atualizações de registros em lote
O problema é que nem tudo o que roda no mainframe cabe nessas categorias. Houve um tempo em que as empresas tiveram que se virar com o que existia para sustentar aplicações complexas e cheias de interação. Os mainframes não eram a solução ideal, mas estavam à disposição.
Hoje, essas organizações levam seus processos para a nuvem em busca de automação integrada, mais velocidade com IA e mais valor a partir dos dados. E acabam reféns do mainframe: código legado por trás de processos opacos, caixas-pretas de decisões e políticas nunca documentadas, dados trancados em um circuito fechado.
Mais de 75% dos projetos de modernização fracassam. 1 Por quê?
As respostas à dependência do mainframe vieram por caminhos distintos.
A técnica: mudar de plataforma. Refazer todo o ambiente de mainframe na nuvem, linha por linha, com paciência de artesão.
O problema: o volume de trabalho é enorme e depende de equipes de consultores sujeitas a erros humanos. E o resultado é o mesmo sistema ultrapassado, apenas replicado em outro lugar.
A técnica: encapsular e renovar. Criar uma camada de interface ágil e adaptável sobre as aplicações de mainframe, viabilizando alguma conexão com sistemas modernos e melhorando a usabilidade.
O problema: as questões antigas continuam sob a superfície, e manutenção, atualizações e mudanças de processo seguem exigindo um esforço enorme. O problema não é resolvido, apenas maquiado.
A técnica: lift-and-shift. Transportar as cargas de trabalho do mainframe para a nuvem praticamente sem mexer na base de código existente.
O problema: pouco se moderniza na aplicação em si. As mesmas estruturas monolíticas, as regras de negócio embutidas e as restrições operacionais seguem o sistema até a nuvem.
Esses e outros métodos tradicionais ignoram um fato sobre os mainframes: parte do que está lá deve continuar onde está, e parte precisa ser extraída, reconstruída na nuvem e aposentada do mainframe. Só que a própria natureza dos mainframes legados coloca essa tarefa quase fora de alcance. Lógica de negócio, acesso a dados e fluxos de trabalho estão profundamente embutidos na base de código, as fronteiras entre eles são difusas e dados, lógica e interface aparecem fortemente acoplados.
A modularidade é a chave da verdadeira transformação do legado
O caminho do sucesso está em priorizar as aplicações de negócio que combinam com a nuvem, como processamento de sinistros, exceções de pagamento, gestão de contas, tratamento de fraudes e gestão de mudanças, preservando intactos os processos transacionais centrais. Como isso é possível? Com IA.
A análise de código com IA localiza e isola a lógica de negócio soterrada nos programas COBOL. E é aqui que a coisa fica interessante: enquanto algumas ferramentas de análise de código procuram traduzir COBOL para Java ou HTML, a verdadeira modernização está em transformar o COBOL em documentação capaz de sustentar uma aplicação inteiramente nova, repensada e construída sob medida para a nuvem.
Quando a descoberta e a análise passam de meses para dias, ou simplesmente se tornam viáveis, a modernização modular de aplicações deixa de ser mais um projeto indefinido e improvável e passa a ser um processo de valor agregado, iterativo, repetível e escalável. Cada aplicação de mainframe modernizada pode entrar no ar em poucas semanas e passar a gerar valor em ambiente de produto de imediato, enquanto a equipe já define o próximo alvo.
Uma linha de produção para modernizar mainframes
Dessa forma, os projetos de modernização e as partes interessadas de TI, os fornecedores, os integradores de sistemas, os usuários de negócio e os executivos que os conduzem transformam-se em linhas de produção, produzindo aplicações SaaS nativas de nuvem, uma após a outra. Depois das primeiras modernizações bem-sucedidas, o processo passa a ser repetível. As equipes montam um pipeline: analisar, repensar, implantar e repetir.
A modernização deixa de ser uma transformação a cada dez anos e passa a ser um processo industrializado.
Analise o código de uma aplicação, redesenhe-o como um fluxo de trabalho pronto para a nuvem, com IA e automação, e coloque-o em uma arquitetura à prova do tempo, conectando ou migrando sistemas de registro e integrações conforme a necessidade, tudo em questão de meses. E repita o ciclo.
Por meio de provedores de hiperescala como a AWS, práticas de transformação consolidadas como as da Accenture ou da Infosys, e com o auxílio da plataforma de design de fluxo de trabalho com IA Pega Blueprint™, os CIOs corporativos finalmente podem tirar do papel os projetos de modernização de mainframe, com risco mínimo, retorno expressivo e iteração rápida.
1 Fonte: Pesquisa: 79% dos projetos de modernização de aplicativos fracassam